Dermatilomania: por que cutucar a pele pode virar um hábito difícil de controlar
O que é a dermatilomania
Cutucar uma espinha de vez em quando é comum. Mas, para uma parte das pessoas, esse gesto vira um comportamento repetitivo e difícil de controlar, mesmo já causando feridas. Esse quadro tem nome: dermatilomania, ou transtorno de escoriação.
Recentemente, a dermatologista Dra. Glauce Eiko, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, comentou o tema à Revista do Correio, explicando por que esse hábito vai além da estética. A condição é um transtorno do espectro obsessivo-compulsivo: a pessoa sente um impulso de mexer na pele, alívio momentâneo ao fazer isso e, depois, culpa pelo dano — o que realimenta o ciclo.
Por que isso acontece
Não é "falta de força de vontade". É um comportamento com raízes emocionais, ligado a estresse, ansiedade, tédio ou uma condição de pele já existente, como acne. Muitas vezes, a pessoa sente que "algo está fora do lugar" mesmo sem haver imperfeição real — uma sensação que pode atrapalhar até o sono.
Os riscos:
Por parecer "só um hábito", muita gente demora a buscar ajuda. As consequências incluem feridas recorrentes, infecções (às vezes com necessidade de antibióticos) e cicatrizes que nem sempre respondem bem a tratamentos como laser. Há também impacto emocional: é comum evitar situações sociais para esconder as lesões. O quadro raramente vem sozinho — costuma estar associado a outros transtornos, como ansiedade.
O que ajuda:
Manter uma rotina de cuidados com a pele
Evitar inspecionar a pele repetidamente no espelho
Manter as unhas curtas e usar hidratante nas mãos
Observar os próprios gatilhos, para antecipar o impulso
Quando buscar ajuda
Conclusão
O tratamento mais eficaz costuma ser multiprofissional, com psicólogo, psiquiatra e dermatologista. Se cutucar a pele passou a interferir na sua rotina ou autoestima, vale procurar orientação médica.
14 de Agosto de 2026
