Dermatilomania: quando o hábito de cutucar a pele deixa de ser inofensivo
Cutucar a pele pode parecer um hábito comum e inofensivo. Muitas pessoas fazem isso de forma ocasional — ao mexer em uma espinha, retirar uma casquinha ou tentar “corrigir” pequenas imperfeições. No entanto, quando esse comportamento se torna frequente, repetitivo e difícil de controlar, ele pode indicar um quadro mais complexo: a dermatilomania.
A dermatologista Dra. Glauce Eiko chama atenção para esse ponto ao comentar o tema, que ganhou destaque em matéria da Bons Fluidos. Segundo ela, o que começa como um comportamento aparentemente simples pode evoluir para um ciclo difícil de interromper, com impacto direto na saúde da pele.
A dermatilomania, também conhecida como transtorno de escoriação, é caracterizada pelo impulso compulsivo de cutucar, arranhar ou manipular a própria pele de forma repetitiva. Esse comportamento pode ocorrer tanto em lesões existentes — como acne ou pequenas feridas — quanto em áreas de pele saudável.
O problema central não está apenas no ato em si, mas na perda de controle. Muitas pessoas relatam que tentam parar, mas não conseguem, e que o comportamento frequentemente está associado a momentos de ansiedade, estresse ou tensão emocional.
Do ponto de vista dermatológico, as consequências podem ser significativas. A Dra. Glauce Eiko explica que a manipulação constante da pele pode levar à formação de feridas abertas, inflamações persistentes e, em casos mais avançados, infecções. Além disso, há um risco elevado de cicatrizes permanentes e alterações na pigmentação da pele.
Essas lesões costumam aparecer em regiões mais acessíveis, como rosto, braços e couro cabeludo, e podem variar de pequenas escoriações a áreas mais profundas e comprometidas. Com o tempo, esse padrão pode se tornar crônico, com surgimento recorrente de novas lesões.
Outro aspecto importante destacado pela Dra. Glauce é o impacto emocional. A aparência das lesões pode afetar a autoestima, levando muitas pessoas a evitarem situações sociais ou tentarem esconder as marcas com maquiagem ou roupas.
Além disso, existe um ciclo comportamental envolvido. O ato de cutucar a pele pode gerar uma sensação momentânea de alívio ou satisfação, o que reforça o comportamento e torna ainda mais difícil interrompê-lo.
Por isso, a dermatilomania não deve ser tratada apenas como um problema estético. Trata-se de uma condição que envolve fatores dermatológicos e emocionais, exigindo uma abordagem mais ampla.
A Dra. Glauce Eiko reforça que o tratamento deve ser multidisciplinar. Em muitos casos, é necessário combinar acompanhamento dermatológico — para tratar as lesões e prevenir cicatrizes — com suporte psicológico ou psiquiátrico, especialmente quando há associação com ansiedade ou outros transtornos.
Outro ponto importante é o reconhecimento precoce. Muitas pessoas convivem com o hábito por anos sem identificar que se trata de uma condição tratável. Quanto antes o quadro é compreendido, maiores são as chances de interromper o ciclo e evitar danos mais profundos à pele.
No fim, o principal alerta é claro: cutucar a pele de forma recorrente não é apenas um “hábito nervoso”. Como destaca a Dra. Glauce Eiko, é um sinal de que algo precisa ser observado com mais atenção — tanto na pele quanto no comportamento.
E, nesses casos, o cuidado certo vai muito além do espelho.
15 de Abril de 2026
